Imigração Alemã

HISTÓRIA DA IMIGRAÇÃO ALEMÃ

Atraídos por promessas do Império brasileiro, os alemães criaram, à sua maneira, um ambiente propício para se desenvolverem no país. A história da imigração alemã para o Brasil começou em 1822, quando o major Jorge Antonio Schaeffer foi enviado por “Dom Pedro I” para a corte de Viena e outras cortes germânicas, com o objetivo de reunir colonos para o processo migratório de alemães para o Brasil. Outro motivo era conseguir soldados para o Corpo de Estrangeiros, situado no Rio de Janeiro. “Ao proclamar a independência do Brasil, Dom Pedro I deparou com o problema da falta de defesa do Império no Rio de Janeiro, já que a côrte levou para Portugal os soldados que aqui lhe davam sustentação” (Descreve o historiador Telmo Lauro Müller – Diretor do Museu da Imigração em São Leopoldo RS. e um dos grandes conhecedores da história da imigração alemã para o Brasil).

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Gravura – Retrata o embarque de imigrantes em busca de novos horizontes
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Gravura – Retrata como era a Bahia da Guanabara, local de desembarque dos imigrantes no século XIX

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Quadro de Ernst Zeuner – Retrata o desembarque dos primeiros imigrantes alemães em São Leopoldo-RS. ANO 1824


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Casa da Feitoria do Linho-Cânhamo, construida em 1788, foi o primeiro abrigo dos imigrantes alemães chegados à São Leopoldo, abaixo a casa restaurada e preservada como monumento histórico, aberto para visitação, permanece ainda no mesmo local, no Bairro que leva o nome de Feitoria, conhecida como Casa da Feitoria ou Casa do Imigrante em São Leopoldo-RS.
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Müller diz que outra preocupação que havia na época era evitar trazer mais escravos ao país, uma vez que o número destes já se igualava ao de não-escravos, podendo representar perigo para o “status quo”.

Em seus primeiros anos de trabalho, “Schaeffer” convocou principalmente soldados e alguns colonos, mas à medida que o Império brasileiro foi se estabilizando, Dom Pedro I preocupou-se em povoar o Rio Grande do Sul com pessoas que soubessem trabalhar com a terra, “Shaeffer” foi então orientado a se preocupar em trazer mais colonos. Para isso, anunciava aos interessados que no Brasil, receberiam 50 hectares de terra, além de vacas, bois e cavalos, auxílio de um franco por pessoa no primeiro ano e de cinqüenta cêntimos no segundo, isenção de impostos nos primeiros dez anos, liberação do serviço militar, nacionalização imediata e liberdade de culto. Daquilo que foi oferecido, ao menos a primeira promessa superou as expectativas, ao invés de 50 ha, os colonos receberam no início 77 hectares. Já as duas últimas promessas nunca poderiam ser cumpridas, pois contrariavam a Constituição no Império.

Os imigrantes trouxeram uma nova língua, nova cultura, nova economia e uma nova religião, a evangélica luterana. A promessa de liberdade religiosa foi quebrada, mas a Constituição Imperial em seu artigo quinto, dizia que outras religiões seriam toleradas, desde que praticadas em casas que não tivessem aparência de templo, ou seja, não podiam ter cruz, sino ou algo que as caracterizassem como igrejas. Então, não católicos praticavam cultos em galpões.

Das outras promessas, algumas também não foram cumpridas integralmente, mas o que interessava realmente aos colonos era a posse da terra e isso, ao menos eles obtiveram, ainda que ao custo de grandes sacrifícios.
As viagens para o Brasil eram verdadeiras tragédias, quando eram muito boas duravam dois meses. Muita gente viajou três a quatro meses ou até mais, conta-nos Müller. O historiador esclarece que os primeiros imigrantes desembarcaram na Bahia da Guanabara no Rio de Janeiro e foram recebidos pelo casal imperial, eis que Dna. Leopoldina esposa de D.Pedro era uma princesa germânica, filha de Francisco II, último imperador do Sacro Império Romano Germânico, a interferência e origens da Imperatriz foram decisivas e motivaram “Dom Pedro I” buscar imigrantes Germânicos.

Pela ordem, a imigração alemã vinda para o Brasil foi a seguinte:

1) 1818 – Nova Friburgo, RJ: colonos suíços do cantão Friburgo, da Suíça alemã na área que denominaram Nova Friburgo, no reinado de D. João VI.

2) 1818 – Ilhéus, BA: 165 famílias alemãs, em Ilhéus, Capitania da Bahia, para cultivar fumo, cacau e cereais.

3) 1819 – São Jorge, BA: cerca de 200 famílias alemãs, instaladas no norte da Capitania da Bahia.

4) Colonos da Fazenda Mandioca, ou seja, 40 famílias alemãs que foram contratadas para trabalhar na Fazenda Mandioca, tendo sido os primeiros colonos “braços livres” a trabalhar numa fazenda, no Brasil.

5) Contratados do major Schaeffer: mercenários trazidos da Alemanha, para formar o “Corpo de Tropas Estrangeiras”, no Exército Brasileiro, imediatamente após a proclamação da Independência, através do médico Anton Von Schaeffer, chegado no Brasil em 1821 e nomeado major da Guarda Imperial, pelo imperador D. Pedro I. Formaram dois batalhões de caçadores e dois de granadeiros. Os contratados, dois tenentes engenheiros, que foram incorporados ao Exército Brasileiro, por não haver uma unidade de engenharia no Corpo de Tropas Estrangeiras: os tenentes Halfeld e Koeler, que foram, respectivamente, fundadores de Juiz de Fora e de Petrópolis.

6) Colonos evangélicos (264 colonos trazidos pelo mesmo major Schaeffer, que iriam para o Sul do Brasil, mas foram instalados perto do morro de Queimados, na Serra do Mar).

7) 1824 – São Leopoldo, RS: a segunda expedição de colonos trazida pelo major Schaeffer, em 1824, mandados para o Rio Grande do Sul, tendo sido instalados onde hoje são as cidades de São Leopoldo, Novo Hamburgo e outras. Nessa região aconteceu a estúpida batalha, cujo relato ganhou o nome de Os Muckers.
8) 1824 – Três Forquilhas, RS: terceira expedição de colonos enviados pelo major Schaeffer, que fundaram a colônia de Três Forquilhas, também no Rio Grande do Sul.

9) 1825 – Torres, RS: provavelmente a última leva que o major Schaeffer trouxe para o Brasil.

10) 1829 – Santo Amaro, SP: alojados na cidade do mesmo nome, no Estado de São Paulo. Esses, na verdade, foram alojados no meio da selva, naquele momento, por exigência dos fazendeiros escravocratas, que não os queriam próximo dos escravos.

11) 1829: Colonos Itapecerica, alojados onde hoje se situa a cidade do mesmo nome, pelos mesmos motivos acima.

12) 1829: Colonos São Pedro de Alcântara. Eram parte de uma expedição destinada ao Rio Grande do Sul, e fundaram a Colônia São Pedro de Alcântara, em Santa Catarina. Mais tarde, em 1846, para ela foram mandados 300 colonos que estavam no Rio de Janeiro, abandonados.

13) 1829 – Itajaí Grande, SC: segunda expedição chegada em Santa Catarina, também parte de uma expedição mandada ao Rio Grande do Sul, que foi alojada na foz do Rio Itajaí, onde foi fundada a cidade com esse nome.

14) 1835 – Itajaí Pequeno, SC: a terceira a desembarcar em Santa Catarina, tendo se alojado na margem do rio Itajaí Pequeno.

15) 1837: Colonos Justini: 283 colonos, que se revoltaram pelas condições de viagem no veleiro francês “Justini”, que se destinava a Sydney, Austrália, e desembarcaram no Rio de Janeiro, tendo sido alojados no Caminho das Cabras, na serra da Estrela, em Petrópolis.

16) 1839: Companhia de Operários, ou seja, 196 artífices e suas famílias, destinados ao Recife, para remodelar a cidade.

17) 1839: Batalhão de Polícia do Pará, ou seja, 800 soldados mercenários contratados para enfrentar os revoltosos da Cabanada; vitoriosos, transformaram-se no 1o Batalhão de Polícia do Pará.

18) 1845: Colonos Petrópolis, ou seja, 1.818 colonos alemães que se estabeleceram na fazenda Córrego Seco, de propriedade de D. Pedro II.

19) 1847: Colonos Santa Isabel, no Espírito Santo, alojados em condições tão terríveis, que inspiraram a Graça Aranha seu romance Canaã.

20) 1847: 80 famílias contratadas pelo Senador Vergueiro, em São Paulo, para trabalhar em sua fazenda, em regime de meação.

21) 1848: Colonos Macaé (os sobreviventes de 600 famílias importadas pelo governo da província do Rio de Janeiro, abandonadas em Niterói, que foram alojados em Macaé).

22) 1848: Colonos Valão dos Veados (outra parte desses mesmos sobreviventes de 22, que foram alojados na localidade de Valão dos Veados

23) 1848: Colonos Leopoldina: mais colonos que chegaram no interior de Santa Catarina, onde fundaram a Colônia Leopoldina.

24) 1849: Colonos Santa Cruz: contratados pelo governo imperial, fundaram a colônia Santa Cruz, no interior do então São Pedro do Rio Grande do Sul

25) 1850: Colonos Blumenau (Colônia São Paulo de Blumenau, fundada por Hermann Bruno Otto Blumenau)

26) 1851: Colonos Dona Francisca (em terras pertencentes a irmã do imperador, Dona Francisca, esta contratou a Sociedade Colonizadora Hamburguesa para colonizar a área, na divisa do Paraná com Santa Catarina. Das diversas cidades que resultaram desse empreendimento, a mais importante foi Joinville).

27) 1851: Tropa Mercenária (tropa de 1.800 homens, com 80 oficiais, que se compunha de um batalhão de infantaria com seis companhias, um grupo de artilharia com quatro baterias e duas companhias de sapadores, contratada do norte da Alemanha pelo governo imperial para combater Manoel Rosas, sob o comando do então Conde de Caxias, que se fixaram no Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina, após terminada a missão).

28) 1852: Colonos de fazendas (na Fazenda Santa Rosa, do Barão de Baependi, 132 colonos; para a Fazenda Independência, de Nicolau A. N. da Gama, vieram 172. A Fazenda Santa Justa, de Brás Carneiro Belens, ficou com 155 colonos. Destinaram 143 para a Fazenda Coroas, de M.N. Valença. Para a fazenda Martim de Sá, de João Cardoso de Meneses, 67). Em 1861, na inauguração da estrada de rodagem União Indústria, todos eles vieram para Juiz de fora.

29) 1855: Colonos Rio Novo (quando chegaram à província do Espírito Santo, foram alojados nas selvas do Rio Novo, onde muitos foram trucidados pelos índios ou pelas feras.

30) 1856: Colonos Santa Leopoldina (compostos por colonos alemães e suíços, no Espírito Santo) – resultaram nas colônias de Jequitibá, Santa Maria, Campinho, Califórnia, Santa Joana, Santa Cruz e 25 de Julho.

31) 1856: Colonos Mucuri (contratados por Teófilo Ottoni, chegaram em Nova Filadélfia, no Vale do Mucuri, os primeiros colonos alemães para Minas Gerais). Maria Procópio havia trazido, em 1856, cerca de 250 alemães, especialistas em pontes de ferro, mecânica, carpintaria, ferraria, construção; em 1858, trouxe mais 508 mulheres e 636 homens, incluindo crianças e bebês. Desses últimos, 641 eram católicos e 503, luteranos.

32) 1857: Colônia Santo Ângelo, chegaram em 01 Novembro 1857 as primeiras famílias, a maioria prussiana, que se estabeleceram na região do hoje município de Agudo, RS.

33) Colonos de D. Pedro II: diz respeito a Mariano Procópio e à história de Juiz de Fora. O primeiro embarque aconteceu na barca Teel, que saiu da Alemanha em 21 de abril de 1858, com 232 colonos (116 homens e 116 mulheres; do total, 145 protestantes e 87 católicos ) para a Companhia União e Indústria, tendo chegado ao Rio em 24 de maio. O segundo aconteceu em 25 de junho de 1858, também no Rio, com a barca Rhein: 182 colonos de ambos os sexos. O terceiro desembarque no Rio ocorreu em 25 de julho de 1858, trazendo 285 colonos na barca Gundela. O quarto, em 29 de julho de 1858, trouxe 249 imigrantes, pela barca Gessner. O quinto e último foi pela barca Osnabrück, que chegou em 3 de agosto de 1858, com 215 colonos.

Fontes:
1) Luiz José Stehling, JUIZ DE FORA, A COMPANHIA UNIÃO E INDÚSTRIA E OS ALEMÃES, 1979, edição da Prefeitura de Juiz de Fora, FUNALFA.
2) Paulino de Oliveira, HISTÓRIA DE JUIZ DE FORA, 2a. edição, 1966 (creio que seja edição do autor, porque só consta a gráfica: Gráfica Comércio e Indústria Ltda., Juiz de Fora).
3) Jair Lessa, JUIZ DE FORA E SEUS PIONEIROS (DO CAMINHO NOVO À PROCLAMAÇÃO) – Ed. UFJF e FUNALFA, 1985.
4) Oswaldo R. Cabral, HISTÓRIA DE SANTA CATARINA, 2a. edição, UFSC, 1970)

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